Depende da sua caixa. Muita caixa vendida como “caixa Bluetooth” aceita microfone sem problema nenhum, só que por um caminho com fio. Outras não têm por onde, e aí o próprio Bluetooth vira o problema, por um motivo que quase ninguém explica antes de você comprar.
Ainda vai comprar a caixa?
Se a ideia é cantar, o que importa não é o Bluetooth, é o que a caixa tem além dele. Antes de pagar, confira:
- Entrada de microfone, marcada MIC ou com o desenho de um microfone. É o que resolve de verdade.
- Volume separado para o microfone. Sem ele, o equilíbrio entre voz e música fica só por conta do volume do celular, o que é bem mais chato.
- Microfone no kit, com ou sem fio. Não é obrigatório, mas costuma sair mais barato do que comprar à parte.
Caixa que só tem Bluetooth, sem nenhuma entrada com fio, não serve para karaokê. Mais abaixo explico por quê.
Já tem a caixa? Olhe as entradas
Muitas vezes as entradas estão atrás de uma tampinha de borracha ou num painel escondido. Estas são as que interessam:
- P10 de microfone: o buraco grande, do tamanho do plugue de guitarra, marcado MIC. Em caixas maiores, pode vir junto com um encaixe de três pinos (o XLR, o plugue de microfone profissional).
- P10 de linha: o mesmo buraco grande, mas marcado LINE, AUX ou INPUT. É igual por fora e diferente por dentro: quem diz para que ele serve é a marcação do lado.
- P2: o buraco pequeno, do tamanho do plugue de fone de ouvido, marcado AUX ou LINE IN.
- RCA: o par de buracos vermelho e branco, marcado AUX, LINE IN ou AUDIO IN.

Se tem entrada de microfone
É o caso mais fácil. O microfone com fio vai direto nela, e o receptor do microfone sem fio também, porque ele quase sempre sai em P10. A música continua chegando pelo Bluetooth e toca junto com a voz, cada uma com o seu volume.
Só fique de olho na microfonia, principalmente se a caixa estiver perto de quem canta.
Se tem só entrada AUX
A entrada AUX, ou de linha, foi feita para receber som de celular, notebook e TV. Ela espera um sinal mais forte do que o do microfone. Um microfone com fio ligado direto nela sai baixinho, quando sai.
Com microfone sem fio, a história é outra. O receptor já entrega um sinal mais forte, e funciona bem na entrada de linha. Já liguei receptor dos dois jeitos, na entrada de microfone e na de linha, e nos dois o som fica bom. Na de linha, só precisa subir um pouco mais o volume. Se a entrada da caixa for P2 ou RCA, você vai precisar de um adaptador de P10 para P2 ou de um cabo P10 para RCA, porque o receptor normalmente sai em P10. Confira também se a saída do receptor é mono ou estéreo. Se for mono e a caixa for estéreo, a voz pode sair de um lado só; aí vale um cabo em Y, com duas pontas RCA, que manda a voz para os dois lados.
Para o microfone com fio, o caminho é uma mesinha de som pequena: o microfone entra nela, e a saída dela vai para o AUX da caixa.
Antes de comprar qualquer coisa, faça um teste na sua caixa: toque uma música pelo Bluetooth e ligue um cabo no AUX. Muitas caixas trocam de modo quando você pluga o cabo e param de tocar o Bluetooth. Se a sua for assim, a música também vai ter que entrar pelo cabo. Com a mesinha de som, isso é fácil: o celular vai ligado nela também, e ela junta música e voz antes de mandar para a caixa.
Se a caixa só tem Bluetooth
Aqui mora a pegadinha. Dá para mandar a voz para a caixa pelo Bluetooth, com um microfone Bluetooth, com um transmissor Bluetooth ligado no microfone ou com um aplicativo que transforma o celular em microfone. Tecnicamente, funciona: a voz sai na caixa. O problema é quando ela sai.
O Bluetooth não manda o som na hora. Ele compacta o som, manda em pacotinhos, e a caixa junta um pouco antes de tocar, para não engasgar. Tudo isso leva tempo: no Bluetooth comum, algo entre 150 e 300 milésimos de segundo (ms).
Algum atraso todo sistema tem, e isso não é problema. O som anda uns 34 centímetros a cada milésimo de segundo, então só de você estar a 3 metros da caixa a sua voz já chega uns 9 ms depois, e ninguém percebe. Quem canta começa a sentir o atraso lá pelos 15 a 30 ms. O Bluetooth comum passa disso com folga: é um atraso dez vezes maior do que o tolerável.
Para ouvir música, isso não faz diferença, porque você só está ouvindo. Para cantar, faz. Você canta, e a sua voz volta da caixa um instante depois. O cérebro se confunde com o próprio atraso, você atropela a letra, repete sílaba, sai do ritmo. Se você lembra do vídeo do “sanduíche-iche”, aquela entrevista ao vivo em que a nutricionista ouvia a própria voz atrasada no ponto eletrônico e começou a repetir o fim das palavras, é exatamente isso. Só que no meio da música.

Existem versões de Bluetooth com atraso bem menor, mas o microfone e a caixa precisam ter a mesma tecnologia, as caixas comuns não costumam ter, e mesmo essas ainda ficam no limite do que quem canta percebe. Tenho aqui vários adaptadores Bluetooth, e praticamente nenhum responde rápido o bastante para usar com microfone, nem para cantar nem para falar.
E aquele microfone de karaokê com caixinha embutida?
Esse funciona de outro jeito: a voz sai pela caixinha do próprio microfone, sem passar pelo Bluetooth, e só a música vem do celular. Por isso não tem atraso na voz. O limite é o volume: é uma caixinha pequena, boa para brincar em casa, não para animar uma festa. E se você tentar mandar o som dele para a caixa Bluetooth, o atraso volta.
Então, o que fazer com a caixa só Bluetooth
Ela não é defeituosa, só não foi feita para isso. Para cantar, a voz precisa de um caminho com fio até alguma caixa: outra caixa com entrada de microfone, ou uma com entrada AUX junto com uma mesinha ou um microfone sem fio.
A caixa Bluetooth pode continuar na festa, tocando a música. Ela só não vai ser a caixa do karaokê.
E a sua caixa, tem entrada escondida atrás de alguma tampinha ou é só Bluetooth mesmo? Conta aqui nos comentários.